PAPAI CHOROU
Eu
tinha seis ou sete anos quando meu pai foi convidado para montar uma
olaria em um lugar chamado Ponte Alta, distrito de Rezende estado do Rio de
Janeiro, onde estava surgindo uma vila, este lugar ficava longe de Rezende e era difícil o acesso, pois as estradas eram
muito ruins, o que dificultava o transporte de tijolos, telhas, ladrilhos etc.
Foi por isso que surgiu a idéia de montar uma olaria nesta comunidade. Meu pai
foi o profissional convidado e aceitou prontamente.
No
principio foi muito difícil para ele,
pois o dinheiro que levou tinha acabado antes de estar pronta a primeira
fornada de tijolos, cuja entrega estava prevista para a semana seguinte. A
situação se complicou pois sem dinheiro o negocio não anda, principalmente para uma
família como a nossa, que havia chegado recentemente e não tinha pra quem apelar
e papai como o único provedor da. As nossas reservas de alimento
foram ficando escassas, ñ havia mais dinheiro para reposição, de onde se tira e
não se coloca um dia acaba – como diz a sabedoria popular – e foi que aconteceu. Um dia acordamos sem nada pra
comer, papai nos chamou para o culto diário, leu a bíblia, comentou, cantamos
vários hinos e corinhos. Na hora da oração papai clamou assim “Senhor meu Deus,
nós hoje não temos nada para comer, mais
eu creio em tuas promessas e confio em tua providencia, por isso sei que não
deixara meus filhos ficarem com fome e com certeza dará um jeito para nos
alimentar, agradeço em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Amem” . Terminado o
culto ele disse para mamãe “Velia, vou ao
mato tirar palmito” pegou um facão e saiu, quando começou a subir a encosta do
morro chegou um japonês que possuía uma horta não muito longe de nossa casa,
vinha trazendo uma cesta cheia de verduras, legumes e frutas. Vendo o homem papai voltou para atendê-lo, então
o japonês falou : “ Sr Alfredo, sou seu vizinho mais próximo e venho
dar-lhe boas vindas e trazer esta cesta com verduras e dizer-lhe que toda vez que precisar pode
mandar buscar mais pois aminha produção é grande e só posso ir a Rezende nos
fins de semana vende-las, por isso pode mandar buscar sem constrangimento”.
Eles ficaram conversando algum tempo, meu pai agradeceu muito e o homem foi
embora.
Papai
entrou em casa e chamou todos nós em seu quarto, nos colocou de joelhos em
volta da cama, e começou a agradecer a Deus, começou mais não terminou porque
chorava copiosamente e as lagrimas não deixaram, todos nos choramos de alegria
e gratidão por tão grande benção derramadas sobre nós, assim cumpriu as escrituras que diz no Salmo 37:25 “ fui
moço e agora sou velho, mas nunca vi desamparado o justo nem sua dissidência
mendigar o pão” louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo.
Paulo Enon
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