sábado, 25 de fevereiro de 2012


PAPAI CHOROU
Eu tinha seis ou sete anos quando meu pai foi convidado para montar uma olaria em um lugar chamado Ponte Alta, distrito de Rezende estado do Rio de Janeiro, onde estava surgindo uma vila, este lugar ficava  longe de Rezende e  era difícil o acesso, pois as estradas eram muito ruins, o que dificultava o transporte de tijolos, telhas, ladrilhos etc. Foi por isso que surgiu a idéia de montar uma olaria nesta comunidade. Meu pai foi o profissional convidado e aceitou prontamente.
No principio foi muito difícil para ele,  pois o dinheiro que levou tinha acabado antes de estar pronta a primeira fornada de tijolos, cuja entrega estava prevista para a semana seguinte. A situação se complicou pois sem dinheiro o negocio não anda, principalmente para uma família como a nossa, que havia chegado recentemente e não tinha pra quem apelar e papai como o único provedor da. As nossas reservas de alimento foram ficando escassas, ñ havia mais dinheiro para reposição, de onde se tira e não se coloca um dia acaba – como diz a sabedoria popular – e foi  que aconteceu. Um dia acordamos sem nada pra comer, papai nos chamou para o culto diário, leu a bíblia, comentou, cantamos vários hinos e corinhos. Na hora da oração papai clamou assim “Senhor meu Deus, nós  hoje não temos nada para comer, mais eu creio em tuas promessas e confio em tua providencia, por isso sei que não deixara meus filhos ficarem com fome e com certeza dará um jeito para nos alimentar, agradeço em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Amem” . Terminado o culto ele  disse para mamãe “Velia, vou ao mato tirar palmito” pegou um facão e saiu, quando começou a subir a encosta do morro chegou um japonês que possuía uma horta não muito longe de nossa casa, vinha trazendo uma cesta cheia de verduras, legumes e frutas. Vendo o homem papai voltou para atendê-lo, então o japonês falou : “ Sr Alfredo, sou seu vizinho mais próximo e venho dar-lhe boas vindas e trazer esta cesta com verduras  e dizer-lhe que toda vez que precisar pode mandar buscar mais pois aminha produção é grande e só posso ir a Rezende nos fins de semana vende-las, por isso pode mandar buscar sem constrangimento”. Eles ficaram conversando algum tempo, meu pai agradeceu muito e o homem foi embora.
Papai entrou em casa e chamou todos nós em seu quarto, nos colocou de joelhos em volta da cama, e começou a agradecer a Deus, começou mais não terminou porque chorava copiosamente e as lagrimas não deixaram, todos nos choramos de alegria e gratidão por tão grande benção derramadas sobre nós, assim cumpriu  as escrituras que diz no Salmo 37:25 “ fui moço e agora sou velho, mas nunca vi desamparado o justo nem sua dissidência mendigar o pão” louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo.
Paulo Enon

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